Idealizado e liderado pelo chef Júlio Ritta em 2015, o Cozinheiros do Bem Food Fighters é o coletivo independente que mais ajuda pessoas em situação de rua no Brasil. O projeto, que não é ligado a nenhuma ordem política ou religiosa, leva alimentos, assistência estrutural, carinho e afeto para a população de rua de Porto Alegre e arredores.
Às vésperas de completar 10 anos de vida, o projeto já serviu mais de 3,2 milhões de marmitas ao longo de sua história. Por muito tempo, os alimentos eram preparados sob o Viaduto da Conceição, no centro, local que marcou a maior ação do projeto, no Natal de 2018, quando foi feito um churrasco para 3,5 mil pessoas. Hoje, o projeto já tem uma sede, que funciona no Vida Centro Humanístico, e mais de 300 voluntários cadastrados.
Durante o período de atendimento às vítimas da enchente, o Cozinheiros do Bem chegou a servir 4,5 mil marmitas por dia. E ainda produziu todas as refeições no abrigo da ONU, em Canoas, numa média de 3 mil por dia. Hoje, serve mil pessoas a cada ação – são pelo menos três por semana – e chega até 3 mil famílias por semana na capital. “Nós sabemos que é impossível acabar com a fome, mas isso não nos impede de fazer o que for possível. Somos uma grande fábrica de sorrisos. Nas nossas ações, não usamos óculos escuros, porque a gente sabe que está levando mais do que um prato de comida. Levamos carinho, amor e afeto, e isso se faz olho no olho”, conta o chef.
O projeto se mantém por meio de doações de alimentos, e de equipamentos para a cozinha. O Cozinheiros do Bem conta com a sociedade civil organizada para manter as despensas cheias. As doações são feitas em pix, alimentos e equipamentos. O canal com a população disposta a ajudar são as redes sociais, por onde são feitos os contatos. Além das doações, que precisam ser constantes, outra dificuldade do projeto hoje é a necessidade de equipamentos para a cozinha e um veículo que possa fazer a logística para entregas das marmitas nos locais onde são distribuídas.